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Postado às 12:24 de 28/11/2013
por Dr Roberto Elias
em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Dr Roberto Elias, HPV, Sem categoria


 
O Papilomavírus Humano, também conhecido como HPV, é um tipo de vírus que infecta pele e mucosas e que pode acometer tanto mulheres quanto homens. Atualmente, a infecção por HPV é considerada a doença sexualmente transmissível mais frequente, ou seja, é a principal patologia viral transmitida pelo sexo. Segundo a Organização mundial de Saúde, mais de 600 milhões de pessoas estão infectadas pelo HPV. Isto significa que aproximadamente 80% da população mundial foi infectada por um ou mais tipos de HPV, em algum momento de sua vida.
 
Na maioria dos casos, a infecção por HPV não apresenta sintomas e é eliminada pelo organismo naturalmente. Por outro lado, o vírus pode ficar de forma latente durante anos no organismo e em apenas uma baixa porcentagem de indivíduos ocasionar o desenvolvimento de alterações celulares, que estão associadas às doenças relacionadas ao HPV. Dentre os mais de 100 tipos existentes de HPV, alguns contribuem para o surgimento de diversas patologias anogenitais em ambos os sexos, como verrugas, câncer de colo uterino, vagina, vulva, ânus e pênis.
 
Além disso, sabe-se hoje em dia, que a infecção por estes vírus também está associada a verrugas e a determinados tipos de cânceres da região da cabeça e pescoço.
A infecção da larínge pelos tipos HPV6 e HPV11, também conhecidos como HPVs de baixo risco, pode levar ao desenvolvimento da Papilomatose Respiratória Recorrente (RRP). Este tipo de doença é rara e é caracterizada pelo aparecimento de múltiplos papilomas benígnos no trato respiratório médio e inferior. Apesar de sua natureza benígna, este tipo de lesão tende a se expandir, podendo provocar a obstrução parcial ou completa da passagem do ar. Embora muito rara, este tipo de lesão geralmente se desenvolve em crianças nascidas de mães portadoras de verrugas genitais, através do contato durante o processo do parto normal. Este tipo de lesão, mesmo que em pequenas proporções na população, pode também ser observada em adultos jovens, cuja infecção se estabeleceu através de contato orosexual.
 
Atualmente, a incidência de tumores orais (principalmente da orofaringe, tonsilas faríngeas e base da língua) associados à infecção por HPV, está aumentando em adultos jovens nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Este aumento ocorreu, ao menos em parte, devido a mudanças no comportamento sexual (maior prática orosexual), nas últimas décadas. Lesões da cavidade oral e do trato genital associadas ao HPV são morfologicamente semelhantes, por isso acredita-se que o vírus tenha um papel fundamental no desenvolvimento de uma parte dos cânceres desta região anatômica. Interessantemente, dentre os tumores HPV positivos da região oral, o tipo viral mais prevalente é o HPV16, o mesmo mais frequententemente encontrado nos cânceres anogenitais. Diversos estudos apontam que aproximadamente 30-50% dos cânceres da orofaringe/tonsilas e 10-25% dos cânceres da laringe são causados pela infecção por HPV.
 
Vale a pena ressaltar que o uso indiscriminado de álcool e tabaco ainda constitui o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de boca e orofaringe. Mas, existe ainda uma proporção de 10-20% de tumores orais detectados em indivíduos que não são tabagistas e/ou etilistas. Atribui-se ao HPV um papel fundamental no processo de carcinogênese neste grupo de tumores. Interessantemente, estudos da literatura científica mostram que os tumores HPV positivos desta região, possuem maiores taxas de cura e sobrevida do que aqueles HPV negativos.
 
Atualmente existem duas vacinas profiláticas disponíveis no mercado contra o HPV16. Estudos clínicos comprovaram uma alta eficácia desta vacina na prevenção das lesões precursoras e consequentemente dos cânceres da região anogenital masculina e feminina em indivíduos nunca expostos ao HPV. Hoje em dia, existem diversos estudos que avaliam a eficácia destas vacinas também na prevenção dos cânceres de cabeça e pescoço associados ao HPV. Acredita-se que num futuro próximo a vacinação em massa tenha um impacto determinante não apenas na prevenção dos cânceres anogenitais, como na prevenção dos cânceres de cabeça e pescoço associados ao HPV.



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