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Postado às 8:11 de 23/05/2014
por Dr Roberto Elias
em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, HPV


 
O Papilomavírus Humano, também conhecido como HPV, é um tipo de vírus que infecta pele e mucosas e que pode acometer tanto mulheres quanto homens. Atualmente, a infecção por HPV é considerada a doença sexualmente transmissível mais frequente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 600 milhões de pessoas estão infectadas no mundo. Na maioria dos casos, a infecção por HPV não apresenta sintomas e é eliminada pelo organismo naturalmente. Por outro lado, o vírus pode ficar de forma latente durante anos no organismo e em apenas uma baixa porcentagem de indivíduos ocasionar o desenvolvimento de alterações celulares, que estão associadas às doenças relacionadas ao HPV.
 
Há décadas foi estabelecida a associação causal entre o câncer de colo uterino e o HPV (Papilomavírus Humano). Mais recentemente a presença desse vírus tem sido associada a outros tipos de tumores destacando-se o câncer anal, peniano e vulvar sendo que a transmissão desse vírus acontece principalmente pelo contato sexual.
 
Estudos atuais mostram uma forte correlação entre tumores de cabeça e pescoço e o HPV principalmente para os tumores da orofaringe, incluindo a parte posterior da língua (base da língua) e as tonsilas faríngeas (conhecidas também como amígdalas).
 
Seguem abaixo algumas perguntas e respostas interessantes sobre a associação entre tumores de cabeça e pescoço e HPV:
 
 
1) Tenho um tumor de cabeça e pescoço positivo para HPV. Como me infectei?
Provavelmente através da atividade sexual, ou seja, por contato oro-sexual (sexo oral). Não existem estudos que comprovem a transmissão destes vírus através do beijo ou por outros meios.
 
2) Após a exposição ao HPV, o risco de desenvolver um câncer de cabeça e pescoço aumenta?
O risco de desenvolver um tumor de cabeça e pescoço após exposição ao HPV aumenta sim. Porém anos ou décadas podem ser necessários para o HPV promover o desenvolvimento de um tumor de cabeça e pescoço; felizmente a maior parte dos pacientes expostos ao HPV elimina o vírus sem grandes consequências a saúde.
 
Infelizmente ainda não sabemos quais os indivíduos que não conseguem eliminar o vírus e com isso desenvolvem o tumor após a infecção viral.
Para que haja o desenvolvimento de um tumor maligno HPV positivo é necessário que o indivíduo tenha sido infectado pelos tipos de alto risco, como o HPV 16 e o 18.
 
3) Uso frequente de cigarro e álcool aumentam a minha chance de desenvolver um tumor relacionado ao HPV?

Até o momento estudos mostram que o uso dessas substâncias não aumenta a chance de infecção por HPV e o aparecimento de tumores HPV positivos.
É comprovado que o alcoolismo e o tabagismo são os principais fatores de risco para os tumores de cabeça e pescoço. Os tumores causados pelo uso dessas substâncias são biologicamente diferentes dos tumores relacionados à infecção pelo HPV. Os tumores de cabeça e pescoço causados pelo uso de cigarro e álcool são mais agressivos quando comparados ao tumor causado pelo HPV.
 
4) Como eu sei que o HPV causou o meu tumor?
Existem vários testes que detectam o HPV no tumor. De um modo geral tumores que são positivos para o HPV tem uma melhor resposta aos tratamentos empregados e um prognóstico mais favorável.
Dados atuais evidenciam que tratamentos menos agressivos podem ser empregados nos tumores positivos para HPV.
 

5) A vacina é útil para me proteger contra o tumor de cabeça e pescoço?
Acredita-se que sim, mas ainda não existem estudos definitivos que comprovem essa proteção para os tumores de cabeça e pescoço. Dados estatísticos mostram que a vacina é de extrema importância na prevenção do aparecimento do câncer do colo uterino e das verrugas genitais.
A vacina disponível contra o HPV é profilática, ou seja, previne a infecção em indivíduos que nunca foram infectados com os tipos virais presentes nas vacinas. Desta forma, a vacinação é importante para aquelas pessoas que ainda não foram expostas ao HPV; atualmente preconiza-se a vacinação de crianças com idade entre 11 e 14 anos, portanto antes do início da atividade sexual.
Espera-se que com a proteção obtida pela vacina a incidência de tumores de cabeça e pescoço associados ao HPV tenha um decréscimo significativo.
 
 
Fonte: Instituto do HPV- Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia das Doenças do Papilomavírus Humano e Memorial Sloan Ketering Cancer Center



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