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Postado às 9:00 de 29/01/2013
por Dr Roberto Elias
em Dr Roberto Elias, Lesões Orais, Tratamentos


 
Líquen plano oral é uma doença inflamatória crônica que afeta superfícies mucosas. A área mais frequentemente envolvida é a mucosa jugal posterior, seguida por língua, gengiva e vermelhão de lábio inferior. O líquen plano também pode aparecer em superfíes epiteliais não orais, como pele, genitália, unhas e folículos capilares. A forma oral é a condição dermatológica mais comum. Geralmente ocorre na 5ª e 6ª década de vida, entretanto, pode aparecer em qualquer idade, inclusive em crianças; acomete todas as raças, segundo Sousa & Rosa (2005) há uma prevalência em indivíduos da raça branca e de acordo com revisão de literatura, a prevalência de líquen plano oral é de 1,27%, sendo que 0,96% afeta homens e 1,57% afetam mulheres. O manejo clínico da doença traz dificuldades tanto para o dermatologista quanto para o estomatologista.
 
A Organização Mundial da Saúde definiu líquen plano como condição pré maligna, a qual é “um estado generalizado associado com aumento significativo do risco de câncer”8. Embora relativamente frequente, líquen plano oral é alvo de muita controvérsia, especialmente em relação ao seu potencial de transformação maligna, por isso se justifica o acompanhamento a longo prazo. De acordo com alguns estudos, esse potencial varia de 0% a 5,3%, dependendo do local acometido pelo líquen, embora alguns autores discordem, pois distinguem duas doenças que muitas vezes são confundidas: líquen plano oral e reação liquenóide com presença de displasia
 
A doença foi primeiramente descrita em 1869, mas até hoje sabe-se pouco a respeito da sua etiologia. Acredita-se que o líquen plano é uma desordem autoimune mediada por linfócitos T levando à inflamação e morte de queratinócitos 10. Fatores exogénos tais como: drogas (antimaláricos, antiinflamatórios não esteroidais, inibidores da enzima conversora de angiotensina, diuréticos, betabloqueadores, hipoglicemiantes orais, sais de ouro, penicilinas, agentes retrovirais), materiais odontológicos (amálgama dental, compósitos, níquel), infecção por Hepatite C, doenças crônicas hepáticas, estresse, genética, tabaco e GVHD (graft versus host disease) podem tanto exacerbar como causar líquen plano oral e reações liquenóides 10. A detecção de sequências virais de HCV e linfócitos T CD4 e/ou CD8 específico de HCV em amostras orais de pacientes com líquen plano sugerem que o vírus HCV pode estar envolvido no desenvolvimento de lesões orais, via caminho imunológico, caracterizado por uma produção excessiva de citocinas Th1 seguida de resposta antiviral imune deficiente 11. A prevalência do vírus da hepatite C e líquen plano varia de 0% a 60% dependendo da população estudada.
 
A doença se manifesta de diferentes formas incluindo atrófica, bolhosa, erosiva, papular, pigmentada, placa e reticular. As formas mais comuns são a reticular que é caracterizada por estrias conhecidas como estrias de Wickham circundadas por bordas eritematosas sendo em geral assintomática; e a forma erosiva clinicamente manifestada por áreas atróficas e eritematosas frequentemente circundadas por finas estrias. As formas erosiva e a bolhosa causam desconforto com dor moderada a severa. Pacientes com líquen plano oral com frequência apresentam uma ou mais lesões extraorais
 
Biópsia é usualmente necessária para descartar displasia, queratose, lúpus eritematoso, estomatite ulcerativa crônica e outras malignidades
 
Embora o líquen plano oral possa regredir espontaneamente, muitas lesões requerem tratamento. Os agentes mais comumente utilizados no tratamento são os corticóides tópicos. Corticóides intralesionais e sistêmicos também são utilizados. As medicações tópicas e sistêmicas incluem imunodepressores. A utilização de corticóides tópicos resulta em efeitos tóxicos locais primariamente relacionado ao aparecimento de candidíase oral para a maioria dos pacientes, o que leva ao tratamento complementar com agentes antifúngicos tópicos ou sistêmicos.
 
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