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Postado às 6:38 de 23/05/2012
por Dr Roberto Elias
em Cirurgia de Tireóide, Tratamentos


 
Enquanto escrevo este texto, verifico meus e-mails e observo um número enorme de mensagens de pacientes preocupados com resultados de exames que evidenciam alguma alteração da glândula tireóide.
 
Inúmeros pacientes procuram o consultório do cirurgião de cabeça e pescoço queixando de aumento da glândula tireóide. Sem dúvida nenhuma, as doenças que acometem a glândula tireóide estão em primeiro lugar na nossa agenda de atendimento.
 
Mas afinal por que será que o número de pacientes com doenças tireoidianas está aumentando?
 
Para encontrar a resposta fui atrás de vários fatos que estão ocorrendo em vários consultórios médicos.
 
Com o progresso e o avanço da medicina nos últimos 50 anos e o uso cada vez mais freqüente de exames laboratoriais e radiológicos, cresceu significativamente o número de pessoas que apresentam algum tipo de disfunção tireoidiana. Assim, pessoas que sofrem com a obesidade, muitas vezes apresentavam tireóide preguiçosa (hipotireoidismo), sem que os médicos fizessem a devida conexão entre os dois problemas. Hoje, sabe-se que o aumento de peso pode ser um dos principais sintomas do hipotireoidismo. É muito freqüente as pessoas irem ao especialista para controlar peso e saem da consulta com esse diagnóstico. Nos últimos cinco anos, triplicou o número de mulheres cuja causa da obesidade é creditada a distúrbios da tireóide.
 
A tireóide é uma pequena glândula em formato de borboleta, instalada na base do pescoço, responsável pelo controle do metabolismo. Até pouco tempo atrás, sua importância no quadro geral da saúde era freqüentemente subestimada, mas ultimamente vem preocupando e tirando o sono de uma população específica – mulheres de mais de 40 anos — que compreendem um grupo de pessoas que combina atividades físicas e tratamentos estéticos com consultas médicas e exames visando um cuidado redobrado com a saúde. Expostas a um número elevado de doenças tais como o câncer de mama, disfunções hormonais e outras patologias, as mulheres também são mais propensas a ter problemas de tireóide. Não se trata de uma doença exclusivamente restrita ao sexo feminino, mas é quase como se fosse: para cada grupo de cinco mulheres com disfunção da tireóide, apenas um homem tem o mesmo problema. A incidência aumenta com a idade e, na faixa dos 40 anos, atinge 30% da população feminina.
 
Sem duvida nenhuma os nódulos são as lesões mais diagnosticadas da tireóide. O que poucos sabem, porém, é que esses nódulos são relativamente comuns e podem ser detectados em cerca de 3% da população e na grande maioria dos casos são decorrentes de doenças benignas que acometem a glândula tireóide.
Podem ser detectados de diversas maneiras desde o auto-exame (o próprio paciente diagnostica ao notar um abaulamento no porção anterior do pescoço) até métodos de imagem mais específicos como o USG da tireóide na qual o diagnóstico de lesões de tireóide sobe para cerca de 30% dos casos examinados.
 
O exame de ultra-som é muito empregado no diagnóstico dos nódulos tireoidianos benignos e malignos e das metástases cervicais. Muitas vezes o nódulo é descoberto a partir de um ultrassom, de rotina. No entanto, seus achados são muito inespecíficos para caracterização do nódulo, quanto à sua natureza.
 
Por esta razão, quase todos os nódulos são puncionados, através da punção aspirativa por agulha fina (PAAF), muitas vezes direcionada pelo ultrassom.
Portanto aqui se apresenta o grande desafio: definir a natureza desses nódulos diferenciando os nódulos benignos dos nódulos malignos
Sabe-se que o câncer de tireóide é uma doença rara e correspondem a 2% de todos os tumores malignos que acometem os seres humanos e que as mulheres têm três vezes mais chance de desenvolverem esse tumor quando comparados aos homens.
 
No entanto, o câncer de tireóide é o tumor maligno que mais cresce entre as mulheres. Um levantamento do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos registrou um aumento de 82% nos casos da doença desde 1981. No mesmo período, a alta na incidência de câncer de mama – o que mais assusta o sexo feminino – foi de 32%.
Sabe-se que as crianças e os adultos jovens podem ser acometidos pelo câncer de tireóide.
 
Uma causa importante para o câncer de tireóide é a exposição maciça a radiações; relatam-se inúmeros casos nas populações sobreviventes aos ataques nucleares de Hiroshima e Nagasaki e uma incidência aumentada nas crianças que sobreviveram ao acidente nuclear de Chernobyl; outros tipos de tumores de tireóide têm origem familiar.
 
O diagnóstico clínico é realizado através da percepção do nódulo palpável ou visível na região anterior do pescoço, observados pelo próprio paciente ou por outros profissionais envolvidos no tratamento do mesmo.
Trata-se de um nódulo móvel, não doloroso de crescimento na maioria das vezes progressivo.
 
Outro sintoma importante é a presença de um gânglio cervical decorrente da metástase do tumor de tireóide para a região do pescoço.
 
Em que situações indicamos a cirurgia? Para nódulos com mais de 2 cm, dependendo da idade e sexo masculino/feminino, é possível que a melhor indicação seja a cirurgia. Freqüentemente o cirurgião manda examinar o nódulo durante a operação e, no caso de ser benigno, apenas retira parte da glândula. Nesse caso, não há nenhum prejuízo para o paciente, porque a outra metade continua produzindo hormônios em nível adequado e suficiente. Nos casos em que se suspeita de neoplasia maligna, está indicada a cirurgia de retirada completa da tireóide, complementada com tratamento com iodo radioativo e hormônio da tireóide.
 
Em bócios volumosos com manifestações compressivas cervicais também está indicada a cirurgia. Em pacientes com nódulos únicos ou múltiplos e hipertireoidismo pode ser indicado o tratamento medicamentoso e principalmente a administração de doses terapêuticas de iodo radioativo. Nos pacientes com hipotireoidismo está indicado o tratamento de reposição hormonal com tiroxina (T4), em doses adequadas corrigidas de acordo com o peso corporal. Em casos de bócio difuso e na suspeita de hipotireoidismo, deverá ser realizada a pesquisa de anticorpos antitireóide (anticorpos antitireoperoxidase – AntiTPO ou anticorpos antimicrossomais) no sentido de se detectar a presença ou não da tireoidite de Hashimoto.
 
Por fim, sabemos que a maioria das disfunções tireoidianas, com especial destaque para os tumores malignos, está associada a alterações genéticas. Novas descobertas nessas áreas vão nos ajudar a prevenir e tratar melhor as doenças e colaborar para o melhor entendimento do ser humano.
 
Roberto Elias Villela Miguel
Cirurgia de Cabeça e Pescoço



1 Comment

  • summer escreveu:
    Postado às 6:38 de 23/05/2012

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